Me chamo Diógenes. Meu melhor amigo é o Cylândio. Moramos no mesmo bairro já faz uns dez anos. Quando cheguei aqui, Cylândio já vivia numa casa simples e de muro baixo. Eu me mudei para uma casa amarela - amarela mesmo - que era rodeada por uma cerquinha de madeira… Amarela.
A mãe do meu grande amigo é linda. Deve ter uns trinta anos, mais ou menos. Já ouvi falar num tal de Balzac, um escritor famoso aí, que fala de mulher de trinta anos. Vou pesquisar na internet para ver se descubro alguma coisa sobre o que esse cara fala porque paciência, paciência mesmo, de ler livro eu não tenho. O pai do meu amigo, e marido da sua linda mãe, é representante de vendas e viaja muito.
Resolvi escrever hoje por um motivo muito sério, um fato que aconteceu comigo há uns dias atrás. Na verdade, eu estou bem orgulhoso do que aconteceu e, ao mesmo tempo, um pouco confuso.
Fui procurar Cylândio na casa dele, terça-feira passada de manhã. Entrei pelo portãozinho que ficava destrancado sempre. Gritei o nome dele uma vez e escutei uma resposta vinda lá dos fundos da casa.
- Entra, Diógenes.
Eu escutava um barulho de água e fui seguindo até lá, no quintal. Quando cheguei, vi Dona Gerlaine no tanque, lavando roupas. Ela estava com um shortinho daqueles que só se usa em casa de tão pequeno e depravado e uma camiseta branca. Aqueles cabelos cacheados curtinhos e saltitantes e sua pele angelical de tão branca contrastavam perfeitamente bem com aquela cena doméstica. Fiquei ali, parado, olhando para Dona Gerlaine, maravilhado. Ver os músculos do braço dela contraíndo-se no vaivém da roupa esfregada contra o tanque me excitou, um tipo de excitação que só tinha sentido quando, uma vez, vi uma mulher pelada na revista do Mago, um amigo nosso, e ela nem era tão bonita assim.Ela não tirou os olhos da roupa e começou a falar:
- Oi, Diógenes. Se estiver procurando o Cylândio, ele não está. Foi para a casa da avó. Só volta de noite.
Agradeci, mas eu não consegui me mover para ir embora. Me mantive ali, apreciando o espetáculo de pernas bem torneadas e fortes que eram ainda mais atrativas quando Dona Gerlaine ficava na ponta dos pés para um apoio melhor na labuta da lavagem das roupas. Ela era um pouco baixinha para a altura o tanque. E esse era um elemento importantíssimo na composição daquela cena.
Percebendo a minha inquietação dentro da minha imobilidade momentânea, Dona Gerlaine parou o movimento das mãos, olhou para mim e disse:
- Bem, Diógenes, só porque o Cylândio não está, não significa que você não possa me fazer um pouco de companhia...
Disse isso com um olhar que, até então, eu desconhecia de Dona Gerlaine. Na hora, sob o impacto de um medo repentino e estranho, inventei que precisava fazer umas coisas em casa. Mas, logo repensei e disse que isso não era urgente, já que ela estava sozinha e podia precisar de alguma ajuda. Ela sorriu enquanto continuava no tanque. Me pediu para pregar um varal que tinha caído, já que precisaria dele quando terminasse de lavar as roupas.
Foi na hora de pendurar as roupas no varal que não contive minha ereção. A camisa branca (e transparente) da Dona Gerlaine estava encharcada de água e, quando ela levantava os braços para alcançar o varal - bendito seja ele – eu conseguia ver, num instante de segundo, aqueles peitos incríveis. Disfarçava com as mãos o efeito que aquela visão causava ao que estava sob meu calção folgado e fino, daqueles que os jogadores usam numa partida de futebol.
Ela já havia percebido, tenho certeza, e como se não bastasse, me pediu uma “mãozinha” para alcançar o varal.
- Você colocou os pregos muito altos, Dizinho. Venha aqui me levantar para eu alcançar melhor.
Bandida! Por que ela não me pediu um banco ou que eu mesmo fizesse o serviço? Só sei que, bandida ou não, fiz o que me pediu sem pestanejar. Segurei na sua cintura fina, por trás, e a suspendi. Depois de um tempo fazendo isso, comecei a apertá-la contra o meu corpo e laçar sua cintura com o braço todo, já que o apoio era melhor – ou, pelo menos, essa foi minha grande desculpa.
Depois de acabada a grande odisséia no quintal, ela disse que me faria um suco. Fomos até a cozinha e comecei a ajudar Dona Gerlaine a cortar um abacaxi. Eu, muito inexperiente nessa tarefa – eu nunca faço nada em casa porque tenho uma mãe que me faz todas as vontades – acabei cortando meu dedo médio, que sangrava muito. Na mesma hora, ela me pegou pelo braço e me levou ao quarto para fazer um curativo.
- Sente aí, Dizinho - disse ela apontando para a cama de casal.
Sentei enquanto ela procurava a caixinha de remédios. Depois, agachou-se na minha frente e pegou minha mão. Já sangrava menos o meu corte quando ela pegou meu dedo e levou-o junto à sua boca.
- Deixe-me dar um beijinho para sarar...
Encostou os lábios no meu dedo bem ternamente, o que me causou algumas reações fisiológicas. Quando percebi, ela passava a língua nele enquanto me olhava fixamente. Fiquei anestesiado por completo quando todo o meu dedo médio estava dentro da sua boca molhada. Só eu sei que sensação foi aquela. Arregalei os olhos e ela me deixou pegar nos seus peitos. Revirei os olhos por uns longos segundos até que ela quebrou o silêncio:
- Tá bom, menino. Você já está melhor. Agora, vá pra casa.
Levantou-se como se nada tivesse acontecido e foi para a sala, assistir televisão. Passei por ela sem saber o que falar e escutei:
- Quando Cylândio chegar, digo que você procurou por ele.
- Sim, senhora. Obrigado.
Naquela noite, tive os sonhos mais incríveis que uma pessoa pode ter.
Menos Cylândio...
(agradecimento especial à Raquel, pela contribuição altamente genial com a música "La madre de Jose" que, diga-se de passagem, foi feita para esse conto...) Pretensiosa, não?